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IA Pode Errar. Então Como Usá-la com Segurança na Gestão Pública?

Publicado
Leitura5 min
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A inteligência artificial pode ajudar a gestão pública a economizar tempo, automatizando tarefas repetitivas como a leitura e extração de informações de documentos. Porém, como a IA pode errar, seus resultados devem ser controlados pelo sistema e revisados por pessoas antes de decisões ou ações importantes.

A inteligência artificial está transformando a forma como organizações lidam com informações e processos. Na gestão pública, ela representa uma oportunidade importante para reduzir tarefas operacionais, acelerar processos e permitir que servidores dediquem mais tempo a atividades que exigem análise e conhecimento.

Mas existe um ponto fundamental: automatizar não significa abrir mão da supervisão humana.

Essa não é apenas uma visão tecnológica. O Tribunal de Contas da União (TCU) estabelece, em suas diretrizes de governança de IA, que a inteligência artificial deve funcionar como ferramenta de apoio e que decisões relevantes continuam envolvendo julgamento e responsabilidade humana.

IA para reduzir o trabalho operacional

Um exemplo prático está na leitura e extração de informações de documentos.

Imagine um servidor que precisa receber diversos PDFs, localizar informações, copiar dados e preencher manualmente um sistema. Dependendo do volume e do formato dos documentos, esse trabalho pode consumir horas.

A IA pode assumir parte dessa tarefa: interpretar o documento, identificar as informações relevantes e organizá-las para utilização no sistema.

O servidor, então, deixa de gastar tempo com a transcrição manual e passa a revisar, corrigir e validar o resultado.

Esse modelo já encontra aplicações concretas no setor público. O próprio TCU demonstra o uso de IA em soluções institucionais, incluindo o ChatTCU, voltado à análise de documentos, consulta a processos e interação com bases de conhecimento em ambiente controlado.

Na experiência da Softagon com o CIA, a automação da leitura e preparação de documentos permite reduzir significativamente o tempo dedicado a tarefas manuais e repetitivas, como leitura, extração e transcrição de informações.

O objetivo não é substituir o servidor, mas eliminar tarefas repetitivas e devolver tempo para atividades que realmente exigem sua atuação.

IA é probabilística. O sistema precisa ser previsível.

Existe uma diferença importante entre inteligência artificial e sistemas tradicionais.

A IA generativa é probabilística: interpreta informações com base em padrões e probabilidades e, por isso, pode eventualmente produzir uma informação incorreta, mesmo quando a resposta parece convincente.

Essa não é uma preocupação apenas teórica. O TCU identifica riscos como informações incorretas, vieses e necessidade de supervisão humana no uso de IA generativa.

Já sistemas determinísticos são construídos sobre regras de negócio previamente estabelecidas. Eles podem controlar permissões, validar campos, determinar fluxos e impedir que determinadas condições sejam ultrapassadas.

Na gestão pública, essa diferença é fundamental.

A IA pode ser utilizada para interpretar um documento complexo ou não estruturado. O sistema pode aplicar regras de negócio sobre o resultado. E o servidor pode supervisionar a informação antes que ela seja efetivamente utilizada.

IA e sistema: cada um no que faz melhor

Inteligência Artificial

Sistema determinístico

Interpreta documentos

Aplica regras

Extrai informações

Valida condições

Identifica padrões

Controla fluxos

Trabalha com probabilidades

Garante comportamentos previsíveis

Pode precisar de revisão

Permite controles e restrições

Essa combinação permite aproveitar a capacidade de interpretação da IA sem transformar todo o processo em uma sequência de decisões automatizadas.

Documento → IA interpreta → Sistema aplica regras → Servidor supervisiona

Boas práticas para usar IA na gestão pública

Uma implementação responsável deve considerar alguns princípios:

  • Supervisão humana: informações relevantes devem poder ser revisadas e corrigidas.

  • Limites claros: é preciso definir quais tarefas a IA pode executar e quais dependem de decisão humana.

  • Regras determinísticas: processos críticos devem contar com regras e validações previsíveis.

  • Rastreabilidade: sempre que possível, deve ser possível identificar a origem das informações processadas.

  • Proteção de dados: o uso de IA deve considerar segurança, controle de acesso, finalidade do processamento e proteção de informações pessoais, especialmente diante das obrigações relacionadas à LGPD.

  • Automatização de tarefas, não de responsabilidades: a IA pode executar o trabalho operacional, mas a responsabilidade pelo resultado deve permanecer adequadamente controlada.

Esses princípios também encontram respaldo em referências internacionais. A UNESCO, em sua Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial, estabelece princípios como transparência, responsabilidade, proteção de dados e supervisão humana, reforçando que os sistemas de IA não devem substituir a responsabilidade humana.

No Brasil, a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) também desenvolve iniciativas voltadas ao uso responsável de IA no setor público, incluindo um toolkit destinado a apoiar gestores e servidores no planejamento, aplicação e monitoramento dessas tecnologias.

Nem todo processo precisa de IA

Usar IA de forma responsável também significa saber quando não utilizá-la.

Se uma tarefa possui regras simples, estruturadas e totalmente previsíveis, um sistema tradicional pode ser mais adequado.

A inteligência artificial ganha especial valor quando existe necessidade de interpretar linguagem, documentos não estruturados, imagens, grandes volumes de informação ou conteúdos que não seguem um padrão rígido.

Em outras palavras: não se trata de colocar IA em tudo, mas de utilizá-la onde ela realmente agrega valor.

Tecnologia para devolver tempo às pessoas

O maior potencial da IA na gestão pública talvez não esteja em substituir pessoas, mas em aumentar a capacidade de trabalho das equipes.

Quando uma ferramenta transforma uma tarefa manual de vários minutos em um processo de poucos segundos, o ganho pode ser significativo. Esse tempo pode ser direcionado para análise, atendimento, fiscalização, planejamento e outras atividades que dependem do conhecimento humano.

É assim que a Softagon entende o uso responsável da inteligência artificial:

IA para interpretar.
O sistema para controlar.
O servidor para supervisionar.

Essa combinação permite automatizar processos, reduzir o trabalho repetitivo e acelerar a gestão pública sem transformar a tecnologia em substituta da responsabilidade humana.

Afinal, inovação no setor público não significa simplesmente fazer mais coisas com tecnologia. Significa usar a tecnologia para gerar mais eficiência, mantendo o controle, a transparência e a responsabilidade sobre aquilo que é feito.


Referências

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